sábado, 18 de julho de 2009

Rosa

"Não pensava no amor antes de conhecer Rosa, o romantismo afigurava-se-me perigoso e inútil, e se alguma vez gostei de alguma garota, não me atrevi a aproximar-me dela com medo do ridículo e de ser repelido. Fui muito orgulhoso, e por causa do meu orgulho sofri mais que os outros.
Passou-se muito mais de meio século, mais ainda tenho gravado na memória o momento preciso em que Rosa, a bela, entrou na minha vida como um anjo distraído que, ao passar, me roubou a alma. Ela ia com a Ama e outra criança, provavelmente alguma irmã mais nova. Creio que usava um vestido Lilás, mas não estou certo disso, porque não tenho olhos para roupa de mulher, e ela era tão formosa que mesmo que usasse uma capa de arminho eu não poderia ter visto senão o eu rosto. Habitualmente não sou dependente das mulheres, mas teria de ser tarado para não notar essa aparição que provocava um tumulto à sua passagem, congestionando o tráfego, com aquele incrível cabelo verde que lhe emoldurava o rosto como um chapéu de fantasia, o porte de fada e aquela maneira de se mover como se voasse. Passou diante de mim sem me ver e entrou flutuando na Confeitaria Placas de armas. Fiquei na rua, estupefado, enquanto ela comprava caramelos de anis, escolhendo-os um por um com um riso de cascavel, metendo uns na boca e dando outros à irmã. Não fui o único hipnotizado; em poucos minutos formou-se uma multidão de homens que espreitavam pela vritina. Então resisti (...)".

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