segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

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Morro dos Ventos Uivantes



Acabei de ler o livro "O Morro dos Ventos Uivantes". Não sei se ainda tenho uma opinião formada sobre o livro. Foi escrito em torno de 1800, num outro contexto histórico, outra situação social e demográfica. Então, é preciso abstrair algumas coisas....

De maneira geral, é um livro que prende pelo suspense. É tanta maldade e situações injustas que a gente quer que tudo melhore, e continua lendo e lendo. Eu me angustiei junto com os personagens; quase pude sentir em mim as indignações, as dores da alma. Por isso, não é um livro "leve"; ele instiga e prende pelo pior, e não pela perspectiva de alegria e leveza.

O texto mostra um lado cruel do ser humano e como algumas relações podem ser doentias e degeneradas. Mostra também como muitas vezes somos influenciados pelo meio e que a é difícil florescer algo de bonito num terreno de ervas daninhas. Mas, quando tudo parece triste e a esperança parece estar morta junto com a paisagem de inverno, sempre algumas sutilezas - pitadas de beleza em meio ao horror e à angústia - dão um fôlego e renovam a alegria.

Não sei se indicaria... e não sei ainda que nota dar a esse livro....



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Conversa franca

Eu e minha mania de colocar algumas pessoas num lugar tão imaculado e especial que mal consigo conceber que a pessoa seja capaz de ser má, de ser babaca ou de errar. Me pergunto: o que é isso, Thais, senão um equívoco?

Não existe no ser humano a pureza absoluta. O ser humano é bom e mau, é incrível e desprezível ao mesmo tempo. Todos nós somos assim, anjos e demônios convivendo dentro de um só coração, às vezes alimentando um ou outro com atitudes, pensamentos e reações.

E esse lugar reservado que você, bonita, insiste em preservar para as pessoas que admira e reconhece como "diferenciadas" não é mais do que uma prisão sufocante, tanto para você quanto pra elas. Porque não existe quem seja capaz de atender tanta expectativa de "santidade" e de atitudes "sábias", mesmo que queira. E, cá pra nós, quem seria o louco de querer viver assim? E seria justo aprisionar alguém para viver em função de expectativas infundadas de comportamento exemplar? E os pensamentos do outro lado, como ficam? Todo mundo quer ser livre para ter suas próprias ações, pensamentos e sentimentos..... e viver conforme seus próprios princípios. E por acaso a senhorita é a dona da verdade e detentora da sabedoria secular?

E você, minha cara... o que ganha com isso? Diga-me que se sente bem e feliz e eu lhe deixo em paz. Mas sei que não. Sei que esse seu jeito só lhe causa náusea, raiva, sofrimento, decepção - com os outros e consigo mesma. Então.... abandone os velhos padrões de comportamento. Essa sua religião não vai levar você a lugar nenhum. Liberte-se e vá viver livre. Deixe os outros livres também, para serem exatamente aquilo que querem. E não espere de ninguém mais do que aquilo que lhe oferecem de livre e espontânea vontade.....



The weight of my worries

 

 "A psychologist walked around a room while teaching stress management to an audience. As she raised a glass of water, everyone expected they'd be asked the "half empty or half full" question. Instead, with a smile on her face, she inquired: "How heavy is this glass of water?"

Answers called out ranged from 8 oz. to 20 oz.

She replied, "The absolute weight doesn't matter. It depends on how long I hold it. If I hold it for a minute, it's not a problem. If I hold it for an hour, I'll have an ache in my arm. If I hold it for a day, my arm will feel numb and paralyzed. In each case, the weight of the glass doesn't change, but the longer I hold it, the heavier it becomes." She continued, "The stresses and worries in life are like that glass of water. Think about them for a while and nothing happens. Think about them a bit longer and they begin to hurt. And if you think about them all day long, you will feel paralyzed – incapable of doing anything."

It’s important to remember to let go of your stresses. As early in the evening as you can, put all your burdens down. Don't carry them through the evening and into the night. Remember to put the glass down!"

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Cura

 


"A cura para tudo é sempre água salgada: o suor, as lágrimas ou o mar." Isak Dinesen


E quando se tem insônia?


"Às vezes, é preciso dormir, dormir muito. Não para fugir, mas para descansar a alma dos sentimentos. Quem nasceu com a sensibilidade exacerbada sabe o quão difícil é engolir a vida. Porque tudo, absolutamente tudo devora a gente."

- Marla de Queiroz.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A verdade dói, mas liberta


Take your time


A falta que faz.....

Por: Thais Wadhy



Lá estava ela, deitada no sofá a ler um livro qualquer. Não estava muito interessada, a leitura era uma espécie de passatempo para afastar o tédio e o cansaço que estava de si mesma e de seus pensamentos. Se pudesse, tiraria férias de sua subjetividade. Mas não podia; teria que se aguentar naqueles momentos de crise e de transformações. Então, utilizava de alguns artifícios, como a leitura.

Gostava de ler, principalmente livros que traziam algum tipo de reflexão sobre a vida, as pessoas, as formas de se relacionar com o mundo. Estes traziam pra ela nova perspectiva, era como um sopro de consciência. Mas não era o caso do que estava lendo. Não queria nada que provocasse ainda mais pensamentos e devanios. Queria tranquilidade, serenidade.

Era um dia preguiçoso, sem muitas expectativas. Um domingo morno, parado, o vento soprava tímido. O tempo parecia suspenso. Até que, em meio à leitura, o seu celular apita, avisando que uma mensagem havia chegado. Era ele: seu último amor, cujo término havia sido dolorido, triste, mal resolvido. A ruptura era um dos assuntos que ocupavam frequentemente seus pensamentos e lhe tiravam o sono. Nos últimos meses, vasculhava sua memória em busca do que havia feito de errado e em busca de respostas para a situação atual. O que havia acontecido com os dois? Por que...?

Com certo receio, pegou o celular e leu a mensagem; pensou se responderia. Eram frases banais, do dia-a-dia, nada de mais. Isso a deixou ainda mais intrigada, pois há tempos não tinham contato... e agora palavras assim, soltas? Será que já havia superado o trauma do término, que tudo já havia passado pra ele? Será que estava pronto para viver com ela uma amizade? ? Ela não sabia se estava pronta. Sentia a falta dele, mesmo que não assumisse com frequência, tentando sempre mudar o foco. Ficou olhando para o aparelho, lendo e relendo cada palavra escrita, tentando decifrar mistérios ocultos, encontrar recados nas entrelinhas. Nada.

Uma onda de melancolia invadiu seu coração. Tudo o que sentia veio à tona como um vulcão em erupção; uma avalanche de emoções que arrancaram qualquer barreira que ela porventura havia instalado em si mesma. Reviveu em sua mente por alguns momentos a relação acabada e sentiu em cada milímetro do corpo todas as misturas de sensações que lhe provocava; queria tanto poder falar com ele o quanto sentia pelo término.... Se imaginava dizendo....

Sinto falta dos seus beijos doces e apaixonados, da sua mão de longos dedos envolvendo a minha cintura por baixo da blusa; do toque despretensioso em minhas coxas; do seu cheiro envolvente ao me abraçar. Do jeito intenso de fazermos amor com o corpo e com a alma, das horas intermináveis de brincadeiras na cama. Das declarações de amor eterno e das trilhas sonoras que pareciam ter sido compostas pra gente. Da minha cabeça deitada em seu peito, do seu jeito sem graça de rir das minhas cutucadas. Dos planos, dos projetos, da vida a dois, dos desejos e sonhos. Do silêncio que tudo dizia entre nós, dos olhares confortantes e compreensivos, das longas e agradáveis conversas antes de dormir, do nosso jeito moleque e brincalhão. Da nossa maneira peculiar de trocar ideias, falar sobre a vida e compreender nosso lugar junto no universo. De poder ligar a qualquer hora do dia ou da noite para ouvir palavras de conforto e carinho. De ter com quem contar nas horas incertas e nos momentos de insegurança.  Do seu jeito de me envolver em seus braços e me apertar forte, das noites mal dormidas assistindo filmes e DVD's. Das contradições, que sempre me fizeram amadurecer e ser uma pessoa melhor a cada dia; aliás, sinto falta do seu jeito de me fazer querer ser uma pessoa melhor a cada dia. Do seu jeito carinhoso de falar comigo e das frases arrogantes ditas de brincadeira. Das mensagens fora de hora, das fotos trocadas, do seu sorriso e da sua gargalhada. Do seu jeito tímido e às vezes ranzinza, dos poucos momentos extrovertidos nos quais pouco lhe reconhecia. Das viagens e dos planos de viagens, de caminhar de mãos dadas. Do seu jeito peculiar de me acolher e confortar. Das experiências vividas, das recordações e do que poderia ter sido. Sinto falta até da saudade... que hoje nem é mais saudade, só ausência.....


E então, esgotada, chorou.